A representação feminina no cenário político

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Última atualização em Domingo, 24 de Março de 2019, 16h17

Deputada Estadual recordista por duas vezes em número de votos, Secretária Estadual de Saúde e primeira-dama do Piauí, Lílian Martins destaca-se no cenário político piauiense atual não apenas por ser mulher, mas por estar mostrando competência ao ocupar uma das principais pastas do Governo: a Saúde.

Natural de Teresina, filha do comerciante aposentado Luiz da Costa Veloso, falecido em dezembro de 2011, e da senhora Maria de Almeida Lira Veloso, Lílian Martins estudou grande parte da sua vida em escola pública. Foi aluna do Liceu Piauiense e cursou os dois últimos anos do ginásio (atual ensino médio) como bolsista no Diocesano, onde, aos 17 anos, trabalhou como professora de inglês. Decidida a prestar vestibular para a área da saúde, foi orientada pelo então professor de química, Padre Florêncio, no processo de definição do curso.


Egressa da terceira turma de Enfermagem da Universidade Federal do Piauí, Lílian afirma que a universidade teve papel fundamental em sua vida: "Apesar de sermos responsáveis por nossas escolhas, a UFPI determinou circunstâncias e parte do meu destino. As lembranças da universidade são sempre muito marcantes, principalmente pelo encontro de pessoas".

                                                  Foto: Ascom Sesapi

Foi dentro da universidade que Lílian conheceu o seu marido, o médico e atual governador do Estado Wilson Martins, e cultivou amizades que permanecem até hoje, como as estabelecidas com a turma formada por 13 enfermeiras que se encontram duas ou três vezes por ano.

O engajamento político também faz parte de suas lembranças, pois integrou o Diretório Acadêmico 7 de Setembro. "Naquela época, nós éramos limitados em relação às áreas de filosofia, sociologia, antropologia por conta da ditadura militar", lembra.

Movida pela busca por conhecimento, Lílian especializou-se como enfermeira. Graduou-se e também fez especialização em Direito pela Universidade Estadual do Piauí. "Em um primeiro momento pode-se pensar no distanciamento das duas áreas. Mas a enfermagem me ajudou muito no curso de direito e vice-versa. Os dois cursos têm sido muito importantes para o meu desempenho à frente da Secretaria Estadual de Saúde. E a motivação maior como enfermeira é estar trabalhando com o bem maior que é a vida", explicou.

Lílian reconhece que a situação da mulher melhorou muito após a Constituição de 1988, mas afirma que ainda há um preconceito velado. Ao ser eleita como Deputada Estadual, com número recorde de votos do legislativo piauiense, sentiu que a admiração de muitos estava mais ligada ao fato de ser mulher do que à quantidade de votos obtida. Situação que demonstra como a mulher ainda é vista de forma diferenciada.

Na data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a Secretária cita conquistas importantes alcançadas pelas mulheres como a maior participação na política, aprovação da Lei Maria da Penha e a licença maternidade de seis meses. "As mulheres devem estar vigilantes para que essas conquistas não retrocedam", observa.
Lílian também aponta dificuldades enfrentadas pela população feminina no que tange aos aspectos: econômico, político e social.

                                                                              Foto: Ascom Sesapi

Apoiada em pesquisas realizadas no cenário nacional, ela mostra que a mulher tem, em média, três anos de estudo a mais que os homens. E que, quanto maior o nível de estudo, maior a disparidade da remuneração entre homem e mulher; que em níveis maiores de escolaridade pode chegar a 30%.

Na visão de Lílian Martins, a participação da mulher na política aumentou significativamente nos últimos anos, principalmente após a eleição da presidente Dilma Rousseff. Mas, ainda assim, ela observa que, enquanto as mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro, apenas 9% das vagas do legislativo são ocupadas por gestoras; o que demonstra uma desproporção representativa da mulher no poder.

Já na área social, o maior problema enfrentado pela mulher, na percepção de Lílian, é a violência doméstica e familiar. Para a Secretária, a Lei Maria da Penha tem sido de grande importância no combate desse tipo de violência, mas precisa ser mais trabalhada. "Ao analisarmos essas três áreas, percebemos que ainda há uma certa discriminação contra a mulher".

Como Secretária de Saúde, Lílian Martins trabalha focada em ampliar o acesso da população à saúde em tempo oportuno. Recentemente, apresentou à Assembleia Legislativa do Piauí o Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) para os servidores da saúde, com proposta de aumento real para os servidores de todas as categorias, exceto aos médicos. Entre os desafios à frente da pasta, Lílian cita o incêndio que destruiu o prédio onde funcionava a Sesapi, por ter sido um dos momentos mais marcantes vividos como Secretária.

Mãe de três filhos, Lílian perdeu precocemente o filho caçula, de 20 anos, em acidente automobilístico em 2008.
Mesmo frente aos desafios profissionais e pessoais que vem enfrentando nos últimos anos, como a reformulação do serviço de saúde no Estado e perda de familiares, a atual Secretária de Saúde se coloca como forte e responsável em meio às adversidades, sem perder a sensibilidade feminina. Mulher de muita fé, ela confessa que as adversidades a fazem crescer. E com convicção afirma que "O que a vida quer de nós é disposição!"

"Se não houver igualdade, não há democracia. Se não há democracia, não há justiça." (Lílian Martins)