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Projeto Tela Sociológica exibirá o filme "Boca de Ouro" nesta terça-feira (17)

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Publicado: Segunda, 16 de Setembro de 2019, 11h41

O projeto Tela Sociológica exibirá nesta terça-feira (17), às 16h, na sala de vídeo II do CCHL/UFPI, o filme Boca de Ouro, tragédia carioca em três atos, texto referência na dramaturgia teatral brasileira. Assinado por Nelson Rodrigues, foi montado pela primeira vez no ano de 1960. Em 1963, a peça rodrigueana ocupou as telas com o filme de Nelson Pereira dos Santos.

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O personagem Boca de Ouro é um presente para um ator interessado em interpretar uma criatura nas suas múltiplas nuances humanas. Tragicômico, dúbio, contraditório, representa um ser humano multifacetado, onde não cabem maniqueísmos. Boca assassina, seduz a mulher dos outros e com o patrimônio construído na sua vida de bicheiro contraventor, concretiza uma vontade dos seus tempos de criança: “...desde garotinho que quero ter uma boca de ouro...”. Da “pia de uma gafieira”, onde nasceu, em precárias condições, aos seus dourados projetos fúnebres, acompanhamos a trajetória espetacular de um homem sob medida para as lentes sensacionalistas das mídias e seus abutres. Em cena, entra a malícia de Caveirinha buscando furos jornalísticos com crimes e assassinatos bacanas de quem finalmente vai vestir um “pijama de madeira”. Nas páginas dos jornais, o colunável Boca torna-se o “Drácula de Madureira”. Banqueiro do bicho, vira celebridade da nata da malandragem. Fama construída em torno das pilantragens e falcatruas cometidas por um representativo sujeito da cultura do país das chuteiras onde foi parido. “O Sol” nas bancas de revista estampa as imagens do famoso bicheiro. Cria da construção jornalística, Boca identifica-se: “Eu sou apenas o que o jornal diz”.

Nelson Rodrigues retrata as contradições dos Brasis em suas vidas públicas e privadas. Em um texto crítico, sintoniza com as leituras socioantropológicas comprometidas com os desvendamentos das máscaras sociais. Boca, na sua “brilhante carreira do crime”, segundo o repórter que cobria a notícia da sua morte, “matava com uma mão e dava esmola com a outra”. Indivíduo paradoxal em atividade assistencialista na cidade descuidada pelo poder público. Filantrópico onde os governantes irresponsáveis abrem espaço para que os “Bocas” façam as suas caritativas ações em prol de um “estado de bem-estar”. Reside aqui um dos motivos deles ganharem a simpatia popular. Parte do dinheiro que adquirem no mundo do crime é destinado a doações para os desassistidos que batem nas suas portas.

Comandado há 17 anos, sem interrupções, pelo professor do Departamento de Ciências Sociais, Dr. Francisco de Oliveira Barros Júnior, o projeto Tela Sociológica tem o objetivo de exibir filmes que cruzem olhares científicos, filosóficos e artísticos, para assim exercitar saberes abertos, rompendo barreiras disciplinares.

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