Dispositivo de honra do I Seminário de Evidências Científicas de Políticas para a Saúde da Mulher
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) realizou, na noite dessa quinta-feira (3), a abertura oficial do I Seminário de Evidências Científicas de Políticas para a Saúde da Mulher. Promovido pelo Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação Permanente para o SUS (NUEPES), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o evento reúne, nos dias 3 e 4 de setembro, pesquisadores, gestores, profissionais de saúde, estudantes e trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) para discutir a produção e o uso do conhecimento científico na formulação e implementação de políticas públicas voltadas à saúde da mulher.
Apresentação musical com o técnico em Música do Curso de Música da UFPI, Juan Carlos
Com o tema “Evidências que transformam políticas, políticas que salvam vidas”, a programação contempla conferências, mesas temáticas e oficinas voltadas à produção, análise e aplicação do conhecimento na área da saúde. Entre os assuntos em debate estão políticas de saúde da mulher, atenção primária à saúde, saúde digital, inteligência artificial, indicadores de saúde, envelhecimento e longevidade e estratégias para redução da mortalidade materna, fetal, neonatal e infantil.
A solenidade de abertura contou com representantes da UFPI, do Governo do estado do Piauí,do Ministério da Saúde, da Fiocruz, da OPAS e de instituições vinculadas à gestão e à promoção das políticas de saúde.
Professora Lis Cardoso Marinho Medeiros
Em sua fala, a coordenadora do Seminário, professora Lis Cardoso Marinho Medeiros, destacou a construção coletiva do evento e a proposta de aproximar a produção científica das necessidades da assistência em saúde. Segundo ela, as atividades promovidas pelo NUEPES buscam contribuir para a melhoria do atendimento e dos indicadores de saúde no estado, com atenção à redução da mortalidade materna.
“Esperamos que essa riqueza de informações que vamos adquirir durante esses dois dias de um evento 100% gratuito possa contribuir com a mudança comportamental do processo de trabalho, principalmente da atenção primária”, disse a coordenadora.
Pró-reitor da PRAEC, Emídio Matos
Representando a Reitoria da UFPI, o pró-reitor de Assuntos Estudantis e Comunitários, Emídio Marques de Matos Neto, destacou a importância da articulação entre universidade, gestores públicos e municípios para a qualificação das políticas de saúde. Ele ressaltou o papel da ciência na orientação das decisões e defendeu o fortalecimento da Atenção Primária e da formação de profissionais para o SUS, considerando os diferentes contextos sociais e territoriais que influenciam a saúde da população.
“É a partir da atenção primária e a partir do cuidado no território que nós faremos de fato saúde preventiva e saúde integral”, afirmou.
Representando a Fiocruz Brasília e a Secretaria-Executiva da UNA-SUS, Flávia Tavares Silva Elias destacou a experiência da instituição na aproximação entre conhecimento científico e gestão pública. Ela citou a atividade realizada com representantes de municípios, voltada à formulação de perguntas de pesquisa e à elaboração de sínteses de evidências e pareceres técnicos para subsidiar decisões em saúde.
“Hoje, a gente teve uma atividade muito rica com cerca de nove municípios e a equipe do nosso núcleo de evidência de Brasília, trabalhando com perguntas de pesquisa para fazer uma coisa que a gente trabalha muito, que são as sínteses de evidências, os pareceres técnicos baseados em evidências”, contou.
Conferência magistral
Conferência realizada por Suzanne Jacob Serruya
Após a solenidade de abertura, a programação contou com a conferência magistral “As evidências para políticas públicas da saúde da mulher”, ministrada por Suzanne Jacob Serruya, chefe da Unidade de Saúde da Mulher da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), com coordenação de Flávia Tavares Silva Elias, da Fiocruz Brasília.
Em sua exposição, Suzanne apresentou a abordagem do curso de vida como uma forma de compreender a saúde materna de maneira contínua, considerando diferentes etapas, da pré-concepção ao envelhecimento. A perspectiva integra temas como planejamento reprodutivo, saúde sexual, saúde mental e atenção primária à saúde.
Ao abordar a organização do cuidado, a conferencista ressaltou que as necessidades de saúde não se restringem a momentos isolados, mas fazem parte de uma trajetória que deve ser considerada pelos serviços.
“Ninguém tem um momento no sistema de saúde. As pessoas têm trajetórias e, dessas trajetórias, existem momentos críticos, como a gravidez, o parto, uma doença, um trauma. Mas nós temos sempre que olhar para essa pessoa numa atenção centrada na pessoa, toda a sua trajetória, para entender a complexidade.”
A programação do I Seminário de Evidências Científicas de Políticas para a Saúde da Mulher prossegue nesta sexta-feira (4), com mesas dedicadas à agenda das políticas para a saúde da mulher e ao uso de sistemas de informação e inteligência artificial como ferramentas de trabalho na Atenção Primária à Saúde para a redução da mortalidade materna.
Também compuseram o dispositivo de honra do evento a diretora Dira Santos, do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado do Piauí (COSEMS-PI), representando a presidência da Fundação Municipal de Saúde; a diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Meiruze Sousa Freitas; o diretor do Centro de Ciências da Saúde da UFPI, professor Arquimedes Cavalcante; a coordenadora-geral de Atenção à Saúde das Mulheres do Ministério da Saúde, Mariana Seabra Souza Pereira; a representante da OPAS Brasil em Brasília, Ana Cíntia Paulin Bardi; a representante da Fiocruz no Piauí, Brenda Bussara Costa; o secretário de estado da Saúde, Dirceu Hamilton Cordeiro Campelo; a coordenadora do Pacto pelas Crianças do Piauí, Isabel Fonteles; e em participação virtual, o diretor do Departamento de Pós-Graduação Stricto Sensu da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), professor Leonardo Savassi.