
Na foto, estudante do PPG em Ciência dos Materiais desenvolve estudo e pesquisa em laboratório
Após uma trajetória marcada por avanços graduais e consistentes nas avaliações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia dos Materiais da Universidade Federal do Piauí (PPGCM/UFPI) alcançou, na Avaliação Quadrienal (2021- 2024), a nota 7, que representa o conceito máximo do sistema considerado excelência em nível internacional. O programa se posiciona entre os mais bem avaliados do País e amplia perspectivas para docentes, discentes e egressos, além de fortalecer o papel da UFPI na produção científica de impacto nacional e internacional.
A conquista consolida um percurso construído de forma célere desde o pioneirismo ao atingir a nota 5, no ciclo 2017-2020, passando pela nota 6, em avaliação do quadriênio 2013-2016, até chegar ao mais alto patamar da pós-graduação brasileira. A elevação sucessiva das notas tem ainda mais peso por tratar-se de um PPG criado há apenas 16 anos. O único Programa de Pós-graduação do Piauí a alcançar a nota máxima 7 em avaliação da Capes tem à frente duas pesquisadoras: a Professora Josy Osajima, como coordenadora, e a docente Fernanda Marciano, que atua como vice-coordenadora.

Coordenadora do PPGCM, Josy Osajima
A elevação da nota representa um marco histórico para a UFPI e para a pós-graduação no Piauí. Para a coordenadora do PPGCM, professora Josy Osajima, o reconhecimento é resultado de um trabalho planejado e contínuo desde a criação do curso. “Receber a nota 7 é um privilégio, e o resultado de um conjunto de ações planejadas com muito cuidado desde o início do programa. Toda essa construção foi feita aos poucos e não aconteceria se não fosse toda a equipe envolvida, desde os técnicos, discentes e docentes. A avaliação considera diversos quesitos, e alcançar a nota máxima significa que o programa apresenta excelência em todas as dimensões avaliadas”, afirma.
A coordenadora destaca ainda que a nota de excelência amplia o acesso a recursos, bolsas e financiamentos, além de fortalecer a visibilidade institucional da UFPI. “Um programa forte atrai parcerias, amplia oportunidades de financiamento e impacta diretamente a formação dos estudantes e o desenvolvimento econômico da região. Os estudos internos indicam que a formação qualificada dos egressos contribui inclusive para o aumento da renda profissional na região, reforçando o papel social da universidade pública”, ressalta.

Professora Josy Osajima ao lado de estudantes do Programa
Outro ponto importante para a conquista da nota 7 pelo PPGCM foi a atenção dada pelo Programa ao preenchimento de dados na Plataforma Sucupira, uma vez que a avaliação da Capes contempla a análise dessas estatísticas. “Esse processo é trabalhoso e exige elevado grau de atenção no preenchimento das informações, especialmente no que se refere às associações entre projetos de pesquisa, teses, dissertações e produções intelectuais. Essas vinculações qualificam os dados informados e impactam diretamente a atribuição de maior relevância e valor às informações avaliadas”, explica Kelson Silva, Técnico de Tecnologia da Informação do PPGCM.
O programa também se destaca pela forte inserção em redes nacionais e internacionais de pesquisa. Docentes participam de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e mantêm projetos de cooperação com instituições estrangeiras, o que possibilita intercâmbios acadêmicos e a realização de doutorado - sanduíche em países como França, Espanha e Polônia.

Doutoranda Milena Silva
A excelência do programa também se reflete nas trajetórias dos estudantes. Doutoranda em Ciência e Engenharia dos Materiais, Millena Silva é egressa da graduação e do mestrado pela UFPI e foi selecionada para dar continuidade a uma etapa da sua pesquisa na França na área de biomateriais, desenvolvendo pesquisas voltadas à regeneração de cartilagem.
“Nosso trabalho busca desenvolver estruturas, com o uso de bioimpressão 3D criogênica, que dão sustentação ao tecido humano e que se degradam no próprio corpo, evitando que o paciente precise passar por uma segunda cirurgia para a retirada do implante. Quando concluí a graduação, cheguei a pensar em migrar para outro estado em busca de oportunidades, mas o programa já existia aqui, próximo da minha família, e me ofereceu condições de continuar na pesquisa. A formação que recebi no programa me permite devolver à sociedade, por meio da ciência”, diz.
Atualmente, o programa conta com 22 docentes permanentes, 36 mestrandos ativos e 87 doutorandos em formação. Ao longo de sua trajetória, já foram realizadas 171 defesas de mestrado e 78 de doutorado, números que refletem a consolidação acadêmica e a capacidade formativa do PPG.
Com caráter multidisciplinar, o Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia dos Materiais reúne docentes e discentes de diversas áreas do conhecimento, como Química, Física, Engenharia, Farmácia e Biomedicina. As pesquisas se organizam em linhas como metais, cerâmicas, polímeros e biomateriais, permitindo abordagens integradas e o desenvolvimento de projetos conjuntos entre diferentes campos científicos.

Estudante Maria Eduarda de Melo
Essa característica reflete também a diversidade de formações dos estudantes, como é o caso de Maria Eduarda de Melo, egressa do curso de Moda, Design e Estilismo da UFPI, que encontrou no programa um espaço para desenvolver pesquisas na área de polímeros. “Escolhi o Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia dos Materiais por identificação com a proposta multidisciplinar. Sempre tive interesse em trabalhar com o beneficiamento de tecidos e, dentro do programa, encontrei a possibilidade de desenvolver pesquisas na linha de polímeros, utilizando nanomateriais para melhorar as propriedades dos tecidos em geral”, relata.
Ao reunir diferentes trajetórias acadêmicas, áreas de formação e linhas de pesquisa, o Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia dos Materiais consolida um modelo de produção científica baseado na integração de saberes e na formação de pesquisadores preparados para responder a desafios complexos.
“É esse trabalho conjunto que nos permite integrar diferentes áreas do conhecimento e formar pesquisadores com visões ampliadas. A ciência construída de forma coletiva fortalece a universidade e amplia as possibilidades de transformação social e econômica. Quando um programa de graduação ou pós-graduação é forte, quem mais ganha é a sociedade”, conclui a coordenadora Josy Osajima.