
Encontros acontecem na sala ARCO do Espaço Rosa dos Ventos
O curso de extensão da Universidade Federal do Piauí “As ervas do Candomblé”, mediado pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PREXC) e iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGAnt), inserida no programa “Consórcio do Notório Saber”, visa valorizar e reconhecer os saberes da cultura afro-brasileira, especialmente o conhecimento tradicional sobre as ervas no Candomblé. O curso é conduzido pelo professor Celso de Brito, pela Mãe Mel de Oxóssi e pelo babalorixá Jemerson de Omolu. A atividade é aberta a todos os interessados na temática, contemplando a comunidade interna e externa da UFPI.
Os encontros são realizados semanalmente, às quintas-feiras, às 18h, na Sala ARCO, no Espaço Rosa dos Ventos, e incluem discussões teóricas e práticas sobre as ervas, sua importância e seus fundamentos no Candomblé.
O professor e representante local do Consórcio do Notório Saber, Celso de Brito, destaca que a ação de extensão é fruto de um trabalho coletivo voltado à valorização das diferentes formas de conhecimento produzidas na sociedade, especialmente os saberes tradicionais. “O curso sobre as ervas no Candomblé é resultado do trabalho conjunto entre mim, o babalorixá Jemerson de Omolu e a Mãe Mel de Oxóssi. Nosso objetivo é propiciar à comunidade universitária da UFPI e aos interessados da comunidade externa a vivência de saberes afro-religiosos produzidos e ensinados aos iniciados no Candomblé de nação Ketu”, afirmou.
Colaboradora do curso, Mãe Mel de Oxóssi ressalta que a proposta surgiu da necessidade de valorizar uma cultura historicamente marginalizada, reconhecendo-o como um saber legítimo, ancestral e formador. “Identificamos também a importância de aproximar os saberes tradicionais do espaço acadêmico, construindo uma ponte entre universidade e comunidade. A proposta busca contribuir para que esses conhecimentos, historicamente marginalizados, sejam compreendidos como sistemas estruturados, complexos e fundamentais para a formação cultural, social e espiritual do nosso povo, valorizando a autoridade intelectual e ancestral de quem os preserva e transmite”, explicou.
Mestre dos saberes tradicionais e condutor da atividade, o babalorixá Jemerson de Omolu destaca que, durante as reuniões, são abordadas a importância das ervas e o papel dos orixás na tradição do Candomblé. “O curso traz diversos benefícios à comunidade interna e externa da universidade. Primeiro, por contribuir para mitigar estereótipos negativos associados às religiões de matriz africana; segundo, por explicarmos a importância das ervas e dos orixás. É uma iniciativa positiva e benéfica, ao compartilhar conhecimento e promove respeito”, afirmou.
Mãe Mel de Oxóssi complementa que o projeto também busca fomentar o diálogo crítico entre diferentes campos do conhecimento. “Para nós, representa uma oportunidade de ampliar a formação acadêmica a partir de uma perspectiva interdisciplinar, aprofundando a compreensão sobre cultura, ancestralidade, biodiversidade e tradição, ao mesmo tempo, em que fortalece o respeito às matrizes africanas”, concluiu.
As pessoas interessadas devem acompanhar os perfis no Instagram @consorcionotoriosaberpi e @prexcufpi, onde são divulgadas informações e orientações sobre o curso. As inscrições foram encerradas, mas segue aberto para quem quiser seguir o curso, que devem apenas comparecer aos encontros.
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