
Projeto foi voltada para capacitação de quebradeiras de coco
Na segunda-feira (23), o Laboratório do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (LabPNCSA), no Centro de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal do Piauí (UFPI), realizou um dia de formação em nova cartografia social voltado às alunas do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais das Quebradeiras de Coco Babaçu.
A programação da manhã contou com exposições de Élida Brito, do Instituto Federal do Piauí (IFPI), e da professora Carmen Lúcia Silva Lima, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPI. As docentes abordaram a produção de mapas como instrumento político, os diferentes tipos de mapeamento e a experiência do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia no Piauí.
No estado, o projeto já resultou na elaboração de diversas cartografias sociais, entre elas: Cartografia Social dos Babaçuais: Mapeamento Social da Região Ecológica do Babaçu; o mapeamento da Comunidade Santa Fé, nos municípios de Santa Filomena e Ribeiro Gonçalves; dos indígenas Kariri e quilombolas do Mocambo, Sumidouro e Tapuio de Queimada Nova; da Comunidade Brejo das Meninas, em Santa Filomena e Baixa Grande do Ribeiro; além de cartografias voltadas aos povos do Cerrado em defesa de seus territórios frente à expansão do agronegócio e às comunidades rurais e quilombolas impactadas por grandes projetos de infraestrutura, como a Transnordestina, a mineração e a energia eólica no Piauí.
No período da tarde, a programação foi aberta com exposição de Adriana Miranda, do Departamento de Parasitologia e Microbiologia da UFPI, sobre a atuação das quebradeiras de coco babaçu na região do Cerrado. Em seguida, a professora Carmen Lima conduziu um exercício prático de produção de mapas. Atendendo a uma demanda do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), a atividade teve como foco o mapeamento das potencialidades e dos principais problemas na área de atuação do MIQCB Regional Piauí.
Coordenadora do LabPNCSA, Carmen Lima avaliou que o encontro foi marcado pela troca intensa de conhecimentos entre universidade e comunidades tradicionais. “Foi um dia de aprendizado mútuo. Élida, Adriana e eu compartilhamos nossas experiências nas áreas de desenvolvimento ambiental, ciências biológicas e antropologia. Ao mesmo tempo, as quebradeiras de coco babaçu reafirmaram a força do conhecimento tradicional, que sustenta sua identidade, a relação histórica com os babaçuais e a luta permanente em defesa de seus territórios”, destacou.
O LabPNCSA integra a rede multidisciplinar e interinstitucional do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, coordenada pelo antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida. Criado em 2017 na UFPI, o laboratório está vinculado ao Departamento de Ciências Sociais e ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia, com a missão de consolidar e ampliar as ações de mapeamento social de povos e comunidades tradicionais no Piauí.
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